
Um dia após a condenação de Rafael de Souza Lima a 22 anos e 5 meses de prisão pela morte da jovem Sashira Camilly Cunha Silva, o pai da vítima fez um duro desabafo criticando a decisão da Justiça e afirmando que a sentença não trouxe qualquer sensação de alívio para a família. A declaração foi dada nesta terça-feira (11), em entrevista à Band FM.
Segundo ele, após quase cinco anos de espera, o resultado do julgamento provocou indignação. “Não traz alívio nenhum para a família, nem para os amigos, nem para a sociedade conquistense. Traz indignação com essa Justiça. Depois de quatro anos e meio, a Justiça proferir uma sentença dessa é até uma vergonha”, afirmou.
O pai de Sashira criticou o fato de a pena aplicada ter sido, segundo ele, branda diante da crueldade do crime. “Três assassinos cruéis, que assassinaram minha filha com requinte de crueldade. Esses assassinos praticamente estão em liberdade”, disse, ao demonstrar preocupação com a possibilidade de progressão de regime.
Ele também voltou a questionar o desaforamento do julgamento, que ocorreu em Feira de Santana, e não em Vitória da Conquista, onde o crime aconteceu e onde Sashira nasceu e vivia. “Minha filha foi assassinada em Conquista, e o julgamento foi em Feira de Santana. Isso foi uma manobra da defesa dos assassinos para diminuir a pena dos outros”, declarou.
Durante a entrevista, o pai da jovem afirmou que a família segue desacreditada do sistema judiciário. “Minha filha nós não vamos ver nunca mais. Enquanto isso, os assassinos estão aí, com suas famílias”, desabafou.
Ele destacou ainda que dois dos acusados pelo crime seguem em liberdade e cobrou punições mais severas nos próximos julgamentos. “Tem mais dois assassinos na rua. Vamos partir agora para cima do Felipe Gusmão e do Marcos. A família espera que, pelo menos, peguem a pena máxima que existir nesse país”, afirmou, ressaltando, no entanto, que a esperança é pequena diante do que chamou de “justiça inoperante”.
Rafael de Souza Lima foi condenado na madrugada desta terça-feira (11) pelo Tribunal do Júri de Feira de Santana pelos crimes de homicídio qualificado, feminicídio e ocultação de cadáver. O assassinato de Sashira ocorreu em setembro de 2021 e causou forte comoção em Vitória da Conquista, tornando-se um símbolo da luta por justiça e contra a violência de gênero.
Para o pai da jovem, no entanto, a condenação está longe de representar justiça. “É uma vergonha dizer que houve justiça por Sashira. Infelizmente, essa é a realidade desse país”, concluiu.
