
Após a condenação do principal acusado pelo assassinato da jovem Sashira Camilly Cunha Silva, as atenções agora se voltam para os demais envolvidos no crime que chocou Vitória da Conquista e repercutiu em todo o estado da Bahia. De acordo com apuração do Blog do Sena, os julgamentos de Marcos Vinicius Botelho Fernandes de Almeida e Filipe dos Santos Gusmão, apontados na investigação como participantes do feminicídio, foram marcados e devem ocorrer no dia 30 de março, no Fórum João Mangabeira, em Vitória da Conquista, quase cinco anos após o crime.
O desfecho do julgamento de Rafael de Souza Lima, ex-namorado da vítima e principal réu no processo, aconteceu no dia 11 de fevereiro, no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana, após sessão que durou cerca de 19 horas. Rafael foi condenado a 22 anos e 5 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio qualificado — com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima — além de ocultação de cadáver e feminicídio.
A realização do julgamento fora da comarca de Vitória da Conquista ocorreu por meio de desaforamento, procedimento previsto no Código de Processo Penal, determinado pela Justiça para assegurar imparcialidade diante da grande repercussão social do caso naquela cidade.
Mesmo com a condenação de Rafael, o caso ainda não chegou a um fim completo no sistema de Justiça. Os outros dois homens denunciados por participação na morte de Sashira, Marcos Vinicius e Filipe Gusmão, aguardam agora a definição de suas próprias penas. Segundo informações oficiais, enquanto Marcos Vinicius permanece preso preventivamente, Filipe responde ao processo em liberdade provisória, mas também será submetido ao Tribunal do Júri.
O crime, ocorrido no dia 15 de setembro de 2021, chocou a comunidade local pela brutalidade com que foi cometido. A investigação policial apontou que Sashira, então com 19 anos e estudante de Engenharia Civil, foi dopada e morta após aceitar um encontro com Rafael, que a teria convocado sob falsos pretextos. Além de Rafael, Filipe teria facilitado a participação de Marcos no ataque, que teria efetivamente terminado a morte da jovem depois que ela ainda demonstrou sinais de vida após ser esfaqueada.
Familiares de Sashira acompanharam com expectativa e emoção o julgamento de Rafael e agora retornam suas atenções à nova etapa processual, que promete colocar Marcos e Filipe diante de um Conselho de Sentença. A expectativa nos bastidores jurídicos e entre apoiadores da família é de que a Justiça promova uma nova resposta firme em relação aos outros envolvidos no feminicídio, em um processo que segue marcado pela indignação e pela busca por responsabilidade penal mais ampla.
O caso Sashira segue sendo observado de perto por movimentos sociais e organizações de defesa dos direitos das mulheres, que reforçam a importância de que todos os envolvidos no crime sejam julgados com rigor e dentro do devido processo legal. A data de 30 de março, no Fórum João Mangabeira, representa um novo marco nessa trajetória judicial que se arrasta há quase meio decênio.
